A política sergipana foi sacudida por uma reviravolta na reta final das eleições. A renúncia de Érico Menezes à candidatura de vice-governador na chapa de Ricardo Marques (PL) acabou provocando uma consequência ainda mais grave. E nesta quarta-feira, 30, a Justiça Eleitoral homologou a renúncia e declarou a impossibilidade de continuidade da candidatura de Ricardo Marques ao Governo de Sergipe. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
O assunto foi o principal tema do editorial do programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves. Ao comentar o episódio, o apresentador resgatou a trajetória política de Ricardo Marques e afirmou que a história do jornalista e ex-vereador de Aracaju é marcada por grandes mudanças de rumo. “Olha, a política há coisas interessantes. Uma delas é a trajetória do jornalista e apresentador de televisão Ricardo Marques”, afirmou Kleber.
O apresentador lembrou a passagem de Ricardo pela Câmara Municipal de Aracaju e a eleição para vice-prefeito ao lado de Emília Corrêa, destacando que a composição formada por dois vereadores eleitos para comandar a capital representou uma situação inédita.
Kleber também relembrou a relação política entre Ricardo Marques e Emília Corrêa. Segundo o apresentador, a proposta anunciada durante a campanha era de uma administração “a quatro mãos”, com Emília e Ricardo dividindo responsabilidades na condução da Prefeitura de Aracaju.
Ricardo chegou a ocupar a Secretaria Municipal da Comunicação, mas posteriormente deixou a gestão. Para Kleber Alves, aquele episódio representou uma mudança importante nos rumos políticos do então vice-prefeito. “Ricardo não ficou mais na gestão. Não foi mais gestão a quatro mãos. A prefeita simplesmente exonerou todos os cargos e o Ricardo passou aí então a não compor mais a administração”, afirmou.
Fora da administração municipal, Ricardo Marques passou a mirar um projeto maior. Primeiro, segundo Kleber, surgiram possibilidades de uma candidatura à Câmara Federal ou à Assembleia Legislativa. Depois, veio a decisão de disputar o Governo de Sergipe pelo PL.
O apresentador relembrou o episódio da convenção partidária em que Rodrigo Valadares teria deixado claro que a prioridade do PL estava na disputa pelo Senado. “Eu já avisei a Ricardo: a campanha dele não é prioridade no partido. A prioridade é para o Senado”, relatou Kleber, ao reproduzir o contexto político daquele momento.
A candidatura ainda enfrentaria outra turbulência: a composição da chapa majoritária. Inicialmente, a vice seria a pastora Salete, que posteriormente desistiu da candidatura. O nome de Érico Menezes acabou sendo escolhido para ocupar a vaga. Mas a segunda composição também não chegou ao fim.
Na terça-feira, 29, Érico anunciou sua renúncia. Em comunicado, atribuiu a decisão a questões familiares e ao momento delicado enfrentado pela esposa, pedindo respeito à privacidade da família. Ricardo Marques, naquele momento, afirmou que continuaria candidato e pediu votos até 4 de outubro.
Com a renúncia de Érico homologada, a Justiça Eleitoral considerou inviável a continuidade da candidatura de Ricardo Marques ao Governo de Sergipe, em razão da indivisibilidade da chapa majoritária. A Secretaria Judiciária do TRE-SE foi acionada para atualizar o sistema de candidaturas e comunicar formalmente as partes envolvidas e o Ministério Público Eleitoral.
Foi o ponto final, pelo menos neste momento, de uma candidatura que chegou à reta final da eleição cercada por sucessivas mudanças. Kleber Alves fez questão de avaliar politicamente o desfecho. “Ricardo Marques teve mais uma decepção. A primeira foi não disputar a reeleição para vereador. A segunda, não ter continuado no grupo da prefeita e disputado uma cadeira na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa. E agora vem essa situação no Governo do Estado. Ricardo Marques saiu muito menor do que entrou nas eleições de 2026”, revelou.




