Delegada e candidata à reeleição para deputada federal pelo PSD participou do Inove Notícias, da Cultura FM, e fez um discurso contundente em defesa da participação feminina na política
A rodada de entrevistas com os candidatos às eleições de 2026 ganhou um tom de confronto nesta quarta-feira, 2. Durante participação no programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves, a delegada Katarina Feitoza (PSD), candidata à reeleição para deputada federal, fez um discurso contundente sobre a presença das mulheres na política e denunciou o que classificou como ataques machistas contra mulheres que ocupam espaços de poder.
Sem poupar palavras, Katarina afirmou que tem como missão abrir caminhos para outras mulheres e deixou claro que não pretende recuar diante das críticas. “Eu sou mulher e tenho uma missão na política e na vida, que é dar espaço a outras mulheres, mostrar que a mulher pode, sim, ocupar o espaço que ela quiser”, ressaltou.
A deputada destacou ainda a chamada “jornada tripla” enfrentada pelas mulheres, lembrando que, além da atuação profissional e política, elas continuam acumulando responsabilidades familiares. “A mulher tem jornada tripla. Eu também sou mãe, sou dona de casa há 30 anos. Somos amigas, somos filhas, somos mães, somos profissionais e a gente tem que dar conta disso tudo”, disse.
Para Katarina, entrar na política significa enfrentar obstáculos adicionais impostos pelo machismo e por uma estrutura que, segundo ela, ainda é predominantemente patriarcal. “Estar na política ainda tem um plus, porque você precisa remover muitas pedras que colocam nos nossos caminhos. Nós vivemos numa sociedade altamente machista, ainda patriarcal”, afirmou.
Ao explicar por que pretende continuar na Câmara dos Deputados, a parlamentar afirmou que deseja ampliar o trabalho desenvolvido durante o mandato, especialmente na destinação de recursos e na criação de políticas públicas.
Ela citou investimentos em saúde, educação, infraestrutura e entidades filantrópicas, além de ações voltadas para pescadores, marisqueiras e pequenos produtores rurais. “Quero continuar para continuar defendendo e representando as nossas mulheres e continuar fazendo o trabalho que venho desenvolvendo: trazer recursos para Sergipe, para os nossos municípios e para o nosso governo do Estado”, destacou.
Um dos momentos mais fortes da entrevista aconteceu quando Katarina decidiu prestar solidariedade à primeira-dama de Sergipe e secretária de Estado da Inclusão, Érica Mitidieri, que, segundo a deputada, vem sendo alvo de ataques nas redes sociais.
Katarina criticou especialmente manifestações que associaram Érica e sua família a religiões de matriz africana de forma pejorativa após visitas a pessoas ligadas a essas religiões. “Olha só que absurdo. Em pleno século XXI a gente ainda tem que se deparar com esse tipo de preconceito religioso”, lamentou.
A deputada defendeu o respeito à liberdade religiosa e afirmou que a atuação pública não pode ser condicionada à religião, raça, gênero ou forma de identificação das pessoas. “Eu sou católica, mas eu posso ser espírita, posso ser das religiões afro, posso ser do candomblé, posso ser umbandista. E aí, qual é o problema?”, questionou.
Segundo Katarina, Érica estaria sendo atacada justamente por ocupar um espaço de destaque e desenvolver políticas públicas voltadas à inclusão social. “Nós precisamos nos solidarizar quando as pessoas são atacadas dessa forma. Isso é um preconceito inconcebível nos dias atuais. Nós não podemos aceitar e normalizar esse tipo de conduta”, disse.
Katarina também ampliou o discurso e citou outra mulher do PSD que, segundo ela, vem sendo alvo de ataques políticos: a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, candidata à reeleição.
A deputada classificou a gestão da governadora como “impecável” e afirmou que os ataques estariam tentando atingir aspectos pessoais da vida de Raquel. “A gestão de Raquel Lyra é uma gestão impecável. Por conta disso, por essas pessoas não conseguirem atacá-la enquanto gestora, estão buscando atacá-la nas coisas mais caras para o ser humano: o coração”, destacou.
Katarina lembrou ainda a perda do marido de Raquel durante o período eleitoral e pediu mais humanidade no debate político. “A gente pede a essas pessoas que tenham um pouquinho mais de Deus no coração. E, se não acreditarem em Deus, que tenham pelo menos amor à humanidade”, afirmou.
No trecho mais explosivo da entrevista, Katarina afirmou que também vem sofrendo ataques nas redes sociais e interpretou parte dessas manifestações como uma tentativa de desestimular mulheres que ocupam espaços políticos. “Podem tirar o cavalinho da chuva porque nem eu, nem Raquel, nem Érica Mitidieri, nem as mulheres que estão hoje na política vão baixar a cabeça por conta desse tipo de ataque”, assegurou.
A parlamentar encerrou o desabafo com uma declaração de forte tom político, prometendo continuar defendendo mulheres independentemente de partido, classe social ou religião. “Podem engolir seco, porque a gente vai continuar. E eu particularmente vou continuar lutando por todas elas. Mexeu com uma, mexeu comigo e mexeu com todas”, afirmou.




