Em entrevista exclusiva ao programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves, nesta quarta-feira, 21, a senadora Teresa Leitão (PT/PE), líder do governo Lula no Senado Federal, fez uma defesa contundente do fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que a mudança representa um avanço para os trabalhadores brasileiros. A parlamentar também comentou o clima de polarização política no Congresso Nacional e o andamento das principais pautas legislativas em meio à disputa eleitoral.
Ao avaliar a votação sobre a jornada de trabalho, Teresa Leitão destacou o amplo apoio recebido pela proposta no Senado e ressaltou que a discussão não começou recentemente. “A PEC foi aprovada por unanimidade, só teve um voto contra e 75 votos favoráveis”, afirmou a senadora, ao mencionar o resultado da votação.
A parlamentar também rebateu a ideia de que a redução da jornada possa provocar prejuízos à economia. Para ela, a resistência a mudanças nas relações de trabalho acompanha historicamente conquistas importantes dos brasileiros. “Se a gente for lá para o século XIX, fim da escravidão, fim do trabalho escravo, a jornada era de 48 horas semanais. Diziam que ia quebrar o país”, argumentou.
Teresa Leitão lembrou que a proposta já vinha sendo discutida desde 2019, quando foi apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes, e defendeu que a matéria poderia ter avançado antes no Congresso. Segundo a senadora, o texto passou por debates e audiências públicas, com a participação de representantes empresariais, centrais sindicais e especialistas.
Na avaliação da líder do governo, a mudança exige diálogo e um período de adaptação para os setores econômicos, mas não deve provocar o cenário de crise anunciado por críticos da medida. Ela citou atividades que já funcionam com jornadas distribuídas ao longo de cinco dias e destacou a necessidade de considerar as particularidades de cada categoria profissional. “Não vai ser uma coisa que vá provocar nenhum hecatombe. Pelo contrário, ela vai provocar um movimento muito positivo, um ciclo virtuoso para a vida dos trabalhadores”, declarou.
A senadora também relacionou o debate à qualidade de vida, ao convívio familiar e à saúde dos profissionais. Para ela, a redução dos dias de trabalho pode contribuir para diminuir o desgaste físico e mental, além de favorecer a produtividade. “O trabalhador também precisa ser valorizado nesse sentido”, enfatizou Teresa Leitão, ao defender que as transformações no mundo do trabalho devem acompanhar as mudanças tecnológicas e sociais.
A parlamentar ressaltou ainda que a jornada de trabalho não pode ser analisada apenas sob a perspectiva econômica. Em sua avaliação, garantir mais tempo de descanso representa uma medida que valoriza as famílias e reconhece os desafios enfrentados pelos trabalhadores, especialmente por aqueles que acumulam atividades profissionais e responsabilidades domésticas.
Sobre o funcionamento do Senado durante o período eleitoral, Teresa Leitão explicou que a semana foi marcada pela ausência de sessões deliberativas, em razão do envolvimento de parlamentares nas campanhas do segundo turno em seus estados. Segundo ela, a polarização política também se reflete nas Casas Legislativas, mas não impediu a votação de matérias importantes na semana anterior.
A líder do governo afirmou que os trabalhos legislativos deverão ser retomados após a definição do quadro eleitoral, com a continuidade das discussões e a conclusão de etapas pendentes.




