O jornalista e advogado Fausto Leite participou da edição desta quarta-feira, 23, do programa Inove Notícias, da Cultura FM, apresentado por Kleber Alves, e fez uma avaliação do atual cenário eleitoral em Sergipe. Durante a entrevista, ele analisou a disputa pelo Governo do Estado, a situação jurídica de Valmir de Francisquinho e a corrida pelas duas vagas ao Senado.
Ao comentar a disputa pelo Governo, Fausto destacou a força eleitoral de Valmir e a mudança no cenário após a confirmação da candidatura. Para ele, as pesquisas precisam ser analisadas em conjunto para que seja possível compreender o atual momento da eleição. “Eu faço uma interpretação das pesquisas. Até hoje, se a gente fizer uma conexão de todos esses levantamentos, o resultado efetivamente é esse: um empate técnico, embora Fábio esteja um pouquinho na frente de Valmir”, afirmou.
Segundo Fausto, os primeiros levantamentos divulgados ao longo do ano apresentavam Fábio Mitidieri na liderança, em um momento em que ainda havia dúvidas sobre a candidatura de Valmir. Com a entrada efetiva de Valmir na disputa, entretanto, o jornalista avalia que o cenário passou por uma transformação. “Quando Valmir efetivamente firmou a sua candidatura, ainda havia aquela situação do julgamento que seria definido ou não. As pesquisas sempre davam Fábio. Então era normal dar Fábio”, explicou.
Fausto também chamou a atenção para o desempenho eleitoral de Valmir em 2022 e classificou o ex-prefeito de Itabaiana como uma liderança de grande força popular no estado. “Valmir é a maior liderança popular do estado de Sergipe. Valmir teve mais de 450 mil votos na eleição passada”, declarou.
Na avaliação do jornalista, o equilíbrio entre Fábio e Valmir deixa a disputa imprevisível. “Ninguém sabe, se você me perguntar friamente, sem paixão de lado, quem vai ganhar a eleição de Sergipe. Não tem. Tem Valmir e Fábio, e os dois para e passa um, chove, outro desce, outro sobe”, afirmou.
Fausto também comentou o julgamento envolvendo Valmir, marcado para 13 de outubro pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para ele, o processo representa um fator de atenção, mas não é possível antecipar o resultado. “Todo julgamento é julgamento. Ninguém sabe o que tem na cabeça dos ministros do STJ”, ponderou.
O jornalista também mencionou a discussão relacionada à ausência de dolo no processo e as mudanças promovidas pela legislação de improbidade administrativa. “A lei de improbidade mudou. Ela tem que aplicar o dolo, tem que mostrar onde está o dolo”, afirmou.
Ao analisar a reta final da campanha, Fausto classificou os próximos dias como decisivos. “Nesses últimos dez dias vão ser dias de fogo”, declarou.
Apesar da proximidade da eleição, o jornalista afirmou que percebe um comportamento diferente entre os eleitores, principalmente em Aracaju. “A gente não está sentindo um clima de eleição ainda em Sergipe, principalmente na capital. As pessoas demoraram a acordar para a eleição de 2026”, avaliou.
Fausto relatou ainda conversas recentes com eleitores e afirmou ter encontrado pessoas que conhecem os principais candidatos, mas ainda não definiram seus votos. “Eles não verbalizam. Então a eleição está fria. É uma eleição complicada”, disse.
Na disputa pelo Senado, Fausto apontou um cenário ainda mais pulverizado. O jornalista citou Edvaldo Nogueira, Alessandro Vieira, Rodrigo Valadares, André Moura, Eduardo Amorim e André David entre os nomes que, segundo sua análise, possuem condições de disputar as duas vagas. “A eleição para o Senado é a mais disputada e a mais aberta. Nós temos seis candidatos que efetivamente têm condição de ter mais de 100 mil votos”, afirmou.
Fausto também destacou o elevado número de eleitores que ainda não teria definido o segundo voto para o Senado. Segundo ele, uma pesquisa interna à qual teve acesso apontaria aproximadamente 39,4% de eleitores ainda sem definição.
Ao comentar especificamente André David, o jornalista mencionou outro levantamento interno. “Eu vi uma pesquisa que o André David tem quase 19% de voto”, afirmou.
Na avaliação de Fausto, a presença de diversos candidatos competitivos torna difícil antecipar o resultado da disputa pelo Senado. “A eleição está muito aberta”, resumiu.




