A reta final das eleições em Sergipe ganhou novos contornos nesta segunda-feira, 28. A jornalista Rita Oliveira participou do programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves, e fez uma avaliação do cenário eleitoral a poucos dias da votação.
Para ela, a disputa pelo Governo do Estado, que durante boa parte da campanha era tratada como caminho praticamente certo para um segundo turno, agora apresenta uma possibilidade que até pouco tempo ela própria considerava improvável: a vitória de Fábio Mitidieri (PSD) já no primeiro turno. “Eu não acreditava até então que não tivesse segundo turno para o governo. Mas já estou acreditando que pode não ter”, afirmou Rita Oliveira durante a entrevista.
A jornalista atribuiu essa mudança de percepção principalmente ao desempenho dos adversários. Segundo ela, Valmir de Francisquinho (Republicanos) não teria apresentado o crescimento esperado e Ricardo Marques (PL) também não conseguiu avançar nas pesquisas como poderia. Levantamentos recentes mostram justamente uma disputa marcada por diferenças entre institutos.
Na avaliação de Rita, Valmir perdeu parte da força que demonstrou na eleição anterior. “Valmir não cresceu o suficiente, como se esperava. Ele perdeu aquela empolgação da eleição passada”, avaliou.
Ela também relacionou o desempenho do candidato ao fato de ele ter deixado a Prefeitura de Itabaiana para disputar o Governo do Estado e às comparações que, segundo ela, passaram a ser feitas pelo eleitorado entre sua gestão e a administração estadual. “Ele poderia ser eleito, ser reeleito, fazer uma boa gestão e depois disputar o governo. Mas não. ‘Eu vou ser governador, eu quero ser governador’, e renunciou. Talvez o povo também não esteja aceitando isso”, disse.
Outro ponto levantado pela jornalista foi a composição política de Valmir. Rita afirmou que a presença de Priscila Felizola como vice também enfraqueceria, na sua avaliação, o discurso de mudança apresentado pelo candidato.
Para ela, a ligação política de Priscila com o ex-governador Belivaldo Chagas cria uma contradição com o discurso utilizado por Valmir em 2022. “O argumento de mudança também não se sustenta”, declarou.
Rita também foi contundente ao analisar a situação de Ricardo Marques e o ambiente interno do PL. “Rodrigo conseguiu destruir o PL. Deu uma aula de como destruir o PL em menos de 60 dias”, assegurou.
Sobre a situação enfrentada por Ricardo, a jornalista classificou como “ridícula” a ausência dele e do candidato ao Senado Coronel Rocha em determinado evento político e afirmou que, se estivesse no lugar do candidato, teria adotado uma postura mais dura. “Eu, no lugar de Ricardo, faria isso. Ninguém precisa merecer ser humilhado”, afirmou Rita.
Na avaliação dela, o cenário acabou concentrando a disputa principalmente entre Fábio Mitidieri e Valmir de Francisquinho, enquanto os demais candidatos não teriam conseguido crescer o suficiente para alterar significativamente essa configuração. “Ficou a polarização de Valmir e Fábio, sempre um pouco mais à frente”, analisou.
Apesar das críticas relacionadas ao abastecimento de água, Rita destacou que Fábio Mitidieri chega à reta final apresentando, segundo ela, um governo que possui obras e ações para mostrar ao eleitorado. “É um governo bem avaliado. Todas as pesquisas mostram ele bem avaliado. Tem realmente serviço prestado na área da saúde, da educação, de recursos hídricos, de infraestrutura”, afirmou.
A falta d’água, porém, aparece como um dos principais pontos de insatisfação com a atual gestão. “Contra ele só tem a questão da falta d’água”, avaliou Rita, ressaltando que o problema pode representar uma parcela do eleitorado descontente.
A jornalista também comentou a disputa pelas oito vagas de Sergipe na Câmara dos Deputados e pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, destacando que a eleição proporcional possui uma dinâmica diferente da disputa majoritária, já que a distribuição das vagas depende do desempenho das legendas e federações, além da votação individual dos candidatos.
Em relação à Câmara Federal, Rita citou nomes que, em sua avaliação, estariam mais competitivos na reta final, entre eles Yandra Moura, Fábio Reis, Ícaro de Valmir e Cláudio Mitidieri. Também apontou disputas envolvendo nomes do União Brasil, PSB, PSD, Republicanos, PT e MDB.
Na disputa pela Assembleia Legislativa, Rita também fez projeções sobre o desempenho das chapas e citou nomes que, segundo sua avaliação, chegam fortes à reta final. Ela chamou a atenção ainda para a importância do quociente eleitoral e lembrou que uma votação individual expressiva não garante, por si só, uma cadeira.
A entrevista ainda abordou a movimentação partidária, as dificuldades enfrentadas por algumas chapas e a expectativa em torno das últimas pesquisas antes da votação. “Os próximos dias serão decisivos e podem confirmar ou modificar o cenário que vem sendo desenhado pelos levantamentos”, completou.




