Candidato do PSTU à Presidência da República participou do Inove Notícias, da Cultura FM, nesta quinta-feira, 3, e fez duras críticas à extrema-direita, ao governo Lula, ao PT e ao sistema político brasileiro
A corrida presidencial ganhou um tom ainda mais explosivo nesta quinta-feira, 3. Em entrevista ao programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves, o candidato do PSTU à Presidência da República, Hertz Dias, não poupou críticas aos principais grupos políticos do país e afirmou que sua candidatura representa uma tentativa de romper com o que classificou como um processo de “decadência da República brasileira”, ressaltou.
Logo no início da conversa, Hertz Dias reclamou da falta de espaço para candidaturas de partidos menores nos meios de comunicação e nos debates eleitorais. “Esse processo eleitoral não tem absolutamente nada de democrático. Nós estamos sendo excluídos de programas de televisão e de rádio, não estamos sendo convidados para os debates. Não é democrático”, lamentou.
Questionado por Rozendo Aragão sobre os motivos que o levaram a disputar a Presidência, Hertz explicou que a candidatura foi resultado de uma decisão coletiva dentro do PSTU.
Segundo ele, o partido avalia que o Brasil atravessa um período de esgotamento do modelo político construído após a Constituição de 1988. “Não foi uma decisão individual. Foi uma decisão coletiva, produto de uma discussão que teve no interior da minha organização”, afirmou,
Hertz Dias afirmou ainda que sua candidatura está baseada em uma análise sobre o cenário econômico e político brasileiro, citando como problemas a desindustrialização e o que considera o fracasso das políticas neoliberais.
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Hertz Dias falou sobre a polarização política brasileira. Para o candidato do PSTU, tanto a extrema-direita quanto a chamada frente ampla liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisam ser enfrentadas. “Nós temos uma polarização. De um lado, a extrema-direita. Do outro lado, nós temos a frente ampla, liderada por Lula”, disse.
Hertz fez duras acusações contra o grupo ligado ao bolsonarismo e citou articulações políticas envolvendo integrantes da família Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na avaliação dele, a extrema-direita representa uma ameaça à soberania nacional. “A extrema-direita é extremamente perigosa”, assegurou.
Ao mesmo tempo, o candidato direcionou críticas ao campo político liderado pelo PT e afirmou que Lula também estaria adotando uma política que, segundo sua avaliação, não rompe com os interesses econômicos internacionais. “Esses dois grupos são iguais? Não. A extrema-direita é extremamente perigosa. Mas nós temos diferenças profundas com a frente ampla.”
O candidato do PSTU também atacou o Partido dos Trabalhadores durante a entrevista. Para Hertz, os governos petistas tiveram participação no processo que levou o Brasil a se tornar cada vez mais dependente da exportação de commodities. “O PT foi parte responsável por esse processo de decadência do Brasil”, afirmou.
Segundo ele, o país precisa abandonar a dependência da exportação de matérias-primas e investir em setores estratégicos e de alta tecnologia.
Hertz defendeu uma ampla política de reindustrialização brasileira, com investimentos em áreas como inteligência artificial, semicondutores e digitalização da indústria. “Quando a gente está falando de reindustrialização, a gente não está falando de voltar como era na década de 80 e 90. A gente está falando de inteligência artificial, de semicondutores, de digitalização da indústria brasileira”, destacou.
Entre as principais propostas apresentadas pelo candidato está a estatização de setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico do país.
Ele citou petróleo, mineração e energia e defendeu que empresas estratégicas voltem a ter controle integral do Estado. “Nós estamos defendendo a estatização de todos os setores estratégicos do desenvolvimento socioeconômico do país”, disse.
Ao falar especificamente da Petrobras, Hertz defendeu que a empresa seja totalmente pública e estatal. “Colocando a Petrobras 100% pública e estatal, nós podemos pegar esse excedente, tirando daí os acionistas, e investir no desenvolvimento e na modernização do parque industrial brasileiro”, pontuou.




