Dando início à rodada de entrevistas com os candidatos ao Governo de Sergipe, o programa Inove Notícias, da Cultura FM 107,5, comandado por Kleber Alves, recebeu nesta terça-feira (18) o candidato Dr. Helton Monteiro, do PSOL, que disputa o Governo do Estado pela federação PSOL/Rede. A chapa tem como candidata a vice-governadora a líder quilombola Maria Exaltina.
Durante os 40 minutos de entrevista, Monteiro apresentou sua trajetória pessoal e política, falou sobre saúde pública, terceirização de serviços, servidores e sua relação com os movimentos sociais.
Logo no início da conversa, o candidato explicou sua ligação com Sergipe. Nascido em Santos (SP), ele contou que é filho de sergipanos que migraram para São Paulo em busca de melhores condições de vida. “Helton é filho de seu Firmino, que é de Pacatuba, e dona Maria José, lá da Ilha das Flores. Como muitos daqui, eles foram retirantes para não morrer de fome, para sobreviver, e acabaram migrando para São Paulo”, relatou.
Segundo Monteiro, apesar de ter nascido em São Paulo, sua ligação com Sergipe começou ainda na infância. Ele afirmou que chegou ao estado aos 10 anos e construiu sua trajetória profissional e de militância na defesa do serviço público.
Ao explicar por que decidiu disputar o Governo de Sergipe, Helton Monteiro afirmou que sua candidatura nasceu da atuação nos movimentos sociais e da defesa de políticas públicas. “Nós estamos aqui para dialogar com a sociedade. Não se pode governar para poucos. Nós temos que governar com a sociedade, que é plural”, declarou.
O candidato também criticou o que chamou de concentração do poder político nas mãos de grupos e famílias tradicionais. Para Monteiro, sua candidatura representa uma alternativa construída a partir dos movimentos sociais, sindicatos e trabalhadores. “Vamos governar para o povo e, mais do que isso, vamos retomar a responsabilidade do governo de fazer gestão”, afirmou.
Monteiro também defendeu que áreas como saúde, educação e abastecimento de água tenham maior participação direta do Estado. “O Estado tem que ter papel fundamental de gerir a vida das pessoas. A gente tem que governar com equidade, governar para os que mais necessitam”, disse.
Questionado se aquela era sua primeira experiência na política eleitoral, o candidato afirmou que sempre esteve envolvido com a política por meio da participação social e sindical, mas que nunca teve como objetivo construir uma carreira eleitoral.
Monteiro relembrou sua atuação como presidente do Sindicato dos Médicos, especialmente durante a pandemia da Covid-19. Segundo ele, naquele período foram realizadas fiscalizações e denúncias relacionadas às condições de trabalho e à estrutura da saúde pública.
O candidato também mencionou casos de atrasos salariais e questionou o modelo de contratação por meio de organizações sociais. “Quando nós nos colocamos como uma alternativa para o Estado de Sergipe, é para mostrar que existe algo diferente”, afirmou.
Por ser médico e ter atuação na área da saúde, Helton Monteiro foi questionado sobre quais seriam suas principais propostas para o setor caso fosse eleito.
O candidato afirmou que uma das primeiras medidas seria retomar a administração direta de unidades e serviços que atualmente estão sob gestão de organizações sociais. “Assim que nós tomarmos posse, vai ser claro para a gente que nós vamos retomar a administração do Governo de Sergipe”, declarou.
Na avaliação apresentada pelo candidato durante a entrevista, a terceirização pode provocar redução no número de profissionais, salários menores e menor capacidade de investimento nas unidades.
Monteiro também defendeu o fortalecimento dos hospitais regionais e da rede de atendimento no interior do estado.
Ele citou municípios como Propriá, Lagarto, Neópolis e Estância e afirmou que a estrutura existente precisa funcionar de forma integrada para evitar a concentração de pacientes no Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE). “O que deveria ter em cada local é uma estrutura funcionando adequadamente. Todos os dias a gente vê problema de superlotação no HUSE”, afirmou.
Monteiro também defendeu a realização de cirurgias e procedimentos de forma regular nos hospitais regionais, argumentando que unidades como as de Propriá, Lagarto, Neópolis e Estância precisam ter capacidade para atender à população de suas respectivas regiões.




