Editorial do Inove Notícias, na Cultura FM, questiona falta de diálogo com moradores, aponta contradições no discurso da Prefeitura e levanta dúvidas sobre o futuro das negociações com o Sistema Atalaia de Comunicação.
A construção de um novo cemitério municipal no terreno pertencente ao Sistema Atalaia de Comunicação, no bairro Santo Antônio, continua provocando repercussão negativa em Aracaju e colocando a prefeita Emília Corrêa no centro de uma polêmica. O anúncio da desapropriação da área, feito pela própria gestora nas redes sociais, acabou desencadeando uma onda de questionamentos, principalmente entre os moradores da região.
O assunto foi tema do editorial desta terça-feira, 3, do programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves. Durante sua análise, o comunicador fez críticas à condução do processo, questionou a ausência de diálogo com a comunidade e apontou o que considera uma contradição na justificativa apresentada posteriormente pela prefeita.
A polêmica começou quando Emília Corrêa utilizou suas redes sociais para anunciar, em tom de comemoração, que havia assinado o decreto de desapropriação do terreno da TV Atalaia, sem apresentar, naquele momento, informações sobre o valor envolvido na operação e outros detalhes do procedimento. A notícia, entretanto, teve uma repercussão muito diferente da esperada e provocou forte reação dos moradores do Santo Antônio.
Em entrevista, a prefeita atribuiu a repercussão negativa a uma falha de comunicação. A justificativa, porém, foi contestada por Kleber Alves. “A comunicação saiu da própria rede social da prefeita. Não foi uma comunicação oficial do município de Aracaju. Então, é preciso entender qual foi essa falha de comunicação”, questionou.
O apresentador também levantou dúvidas sobre a condução do processo e a decisão de assinar o decreto sem que a população da região tivesse sido previamente consultada. “Será que alguém chega ao ouvido da prefeita, canta a pedra e ela sai reproduzindo sem antes checar a informação? Será que a prefeita Emília Corrêa não leu aquele decreto antes de assinar?”, provocou.
Outro ponto destacado no editorial foi a informação de que as tratativas envolvendo o terreno já aconteciam havia quase dois anos, conforme declaração da própria prefeita. Para Kleber Alves, se o projeto vinha sendo discutido desde o período em que Emília ainda era vereadora, houve tempo suficiente para apresentar a proposta aos moradores e explicar os motivos da escolha daquela área.
O radialista também fez questão de separar a negociação comercial da polêmica política. Segundo ele, o Sistema Atalaia de Comunicação não deve ser responsabilizado por buscar uma negociação que atenda aos interesses da empresa. “Uma empresa existe para gerar lucro. O Sistema Atalaia de Comunicação não tem nenhum motivo para ser citado de forma negativa por estar envolvido nessa negociação”, destacou.
Kleber Alves ainda chamou a atenção para uma contradição no discurso da administração municipal. Enquanto a Prefeitura divulga campanhas convocando a população a participar da construção do novo Plano Diretor de Aracaju, a proposta de implantação do cemitério no Santo Antônio, segundo o apresentador, não teria sido previamente discutida com a comunidade.
“Como é que a Prefeitura convoca a população para participar da construção de um Plano Diretor melhor para a capital, mas uma decisão como essa não é discutida com a comunidade, principalmente com os moradores do Santo Antônio?”, questionou.
O apresentador ressaltou que não é contrário à construção de um novo cemitério municipal, reconhecendo a necessidade de Aracaju contar com uma estrutura desse tipo. A crítica, segundo ele, está relacionada à escolha do local e à maneira como a decisão foi conduzida. “Aracaju precisa de um cemitério. Parabéns, prefeita, a senhora está no caminho certo, mas com as estradas erradas”, afirmou.
A localização do empreendimento também foi questionada diante dos possíveis impactos na mobilidade urbana. Kleber Alves chamou a atenção para o aumento do fluxo de veículos em uma região que já recebe visitantes e turistas, especialmente em razão dos equipamentos e atrativos existentes no entorno.
O radialista também levantou a preocupação com a circulação de cortejos fúnebres em horários de maior movimento, pelas vias de acesso ao bairro e pela região da Colina do Santo Antônio. “Você imagine um velório às 11h da manhã, com um cortejo passando por dentro da cidade, subindo a ladeira do Santo Antônio para chegar a um cemitério naquela região. Como ficará o trânsito?”, questionou.
Outro aspecto destacado foi a insatisfação de moradores que adquiriram imóveis na região sem imaginar que poderiam ter um cemitério como vizinho. A possibilidade de implantação do empreendimento ao lado das residências provocou revolta na comunidade e ampliou a repercussão negativa do anúncio.
Depois das críticas, Emília Corrêa publicou um novo vídeo e anunciou que receberia uma comissão de moradores para conversar sobre o assunto. A iniciativa, entretanto, também foi questionada pelo apresentador, que considera que o diálogo deveria ter acontecido antes da divulgação da desapropriação.
A polêmica ainda pode trazer consequências para as tratativas entre a Prefeitura e o Sistema Atalaia de Comunicação. Conforme mencionado no editorial, a empresa já mantinha conversas com a Universidade Tiradentes (Unit) para transferir sua estrutura para as dependências da instituição. Com a entrada da Prefeitura nas negociações e a repercussão do caso, surgem dúvidas sobre como ficará o futuro desse entendimento. “E agora, o que é que a Atalaia vai dizer para a Unit? Que não quer mais? E o que é que a Prefeitura vai dizer ao Sistema Atalaia de Comunicação? Que não vai dar mais certo?”, questionou Kleber Alves.




