Em um cenário onde as mulheres representam a maioria do eleitorado, mas ocupam menos de 20% das cadeiras de decisão no Brasil, o programa Conexão Sergipe desta semana mergulha na urgência da representatividade feminina na política. O apresentador André Moura recebe Silvany Mamlak, ex-prefeita de Capela e atual presidente da Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (FAMES), para uma conversa que costura gestão técnica, combate à violência de gênero e a histórica luta pelo novo Pacto Federativo.
O episódio, pautado pelo pioneirismo de Silvany — primeira mulher a presidir a FAMES —, não se furta a temas áridos. Durante o programa, ela detalha os desafios de enfrentar o machismo estrutural, a hostilidade de ambiente político para figuras femininas e a “covardia” das fake news, que frequentemente migram do debate de ideias para ataques à honra e à vida privada das candidatas. “O covarde que não tem projeto de trabalho ataca a honra da mulher”, enfatizou André Moura, defendendo o endurecimento das leis para punir com rigor o crime de violência política de gênero.
Além da pauta de costumes e direitos, o diálogo avançou sobre a eficiência administrativa. Para Silvany, o “olhar do cuidado” feminino é o que garante que a infraestrutura — o asfalto e o viaduto — caminhe lado a lado com a assistência social e a educação infantil. No campo econômico, a discussão focou na asfixia financeira dos municípios. Como titular do Conselho Fiscal da Confederação Nacional dos Município (CNM) em Brasília, a convidada expôs a injusta divisão de impostos, onde a maior parte da arrecadação fica retida no Governo Federal, enquanto as demandas batem à porta das prefeituras.
André Moura, que também é secretário de governo do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado por Sergipe, reafirmando seu perfil municipalista, destacou a necessidade de uma articulação política robusta no Congresso Nacional para destravar recursos. “É na cidade que a vida acontece”, pontuou o apresentador, reforçando que a autonomia dos prefeitos é fundamental para a manutenção de serviços básicos e o pagamento de servidores. O programa encerra com uma homenagem ao aniversário de 171 anos de Aracaju e uma convocação para que mais mulheres ocupem seus espaços de liderança.


