Após um longo e ensurdecedor período de silêncio, o vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques (Cidadania), resolveu romper o mutismo, abrir o coração e escancarar os bastidores da relação estremecida com a prefeita Emília Corrêa (Republicanos). O desabafo veio em tom firme, carregado de frustração e sentimento de exclusão.
Em entrevista concedida ao programa Inove Notícias, da Rádio Cultura FM, apresentado por Kleber Alves, nesta terça-feira (27), Ricardo decidiu colocar para fora tudo aquilo que o incomodava desde o início da gestão. Eleito com a promessa de uma administração compartilhada, o famoso “governo a quatro mãos”, o vice afirmou que a realidade foi bem diferente do discurso da campanha.
“Durante a campanha, as pessoas perguntavam se eu seria um vice decorativo. Em todos os encontros, nós dizíamos que não. Mas não foi isso que aconteceu. Eu me senti escanteado, sem liberdade de atuação”, revelou, sem rodeios.
Segundo Ricardo Marques, o projeto apresentado à população previa protagonismo, participação ativa e presença constante nas decisões da Prefeitura. No entanto, com o início da gestão, ele afirma ter sido gradualmente afastado, perdendo espaço e voz dentro da administração municipal.
Mesmo assim, o vice-prefeito fez questão de ressaltar que sempre manteve o respeito institucional à prefeita Emília Corrêa. “Nunca quis ser maior do que ela. Sempre respeitei a prefeita. Eu só fazia o que sempre fiz como comunicador: ir às ruas, fiscalizar, ver o que estava acontecendo nos equipamentos públicos”, explicou.
Ricardo revelou que sua postura ativa sempre gerou ruídos internos, mas afirmou que buscou o diálogo em todos os momentos, explicando que suas ações não eram contra a gestão, mas em favor da população. “Sempre procurei conversar com a prefeita e explicar que eu só estava sendo eu. Em todas as entrevistas que concedi, sempre honrei o nome da prefeita”, frisou.
O clima, segundo ele, piorou quando a prefeita deixou no ar a ideia de que o vice estaria abandonando a gestão em razão de um suposto projeto pessoal, acusação que Ricardo nega com veemência. “Quando ela falava isso, parecia que era eu que estava fazendo algo errado. Mas eu não sou só. Eu sou de grupo. Não entrei na política por projeto pessoal, mas para ajudar a melhorar a vida da população”, disparou.
O desabafo público do vice-prefeito acende o alerta vermelho nos bastidores da política aracajuana e levanta questionamentos sobre o real nível de alinhamento dentro da atual gestão municipal. O que antes era tratado em silêncio agora vem à tona em rede aberta, com declarações que podem redefinir os rumos da administração


