Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE, revelam que Sergipe vem passando por um processo gradual de qualificação da sua força de trabalho. Embora, em 2024, o estado ainda apareça como o segundo do país com maior percentual de pessoas ocupadas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, os indicadores mostram uma evolução consistente ao longo da última década.
E para falar sobre esse cenário, a edição desta terça-feira, 2, do programa Inove Notícias da Cultura FM, que teve a apresentação de Rozendo Aragão, conversou com o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo, Jorge Teles
Segundo ele, em 2012, quase metade da população ocupada sergipana (44,8%) não tinha instrução ou havia concluído apenas parte do fundamental. “Doze anos depois, esse número caiu para 29,6%, uma redução significativa de 34%. Ao mesmo tempo, cresceu a presença de trabalhadores com níveis mais altos de escolaridade. A proporção de pessoas com ensino superior completo no mercado de trabalho avançou de 10,5% para 17,9%, uma elevação de 70%. Já o percentual daqueles com ensino médio completo e superior incompleto subiu de 30% para 39%”, destacou.
Por outro lado, houve leve redução entre os que possuem fundamental completo e médio incompleto, que passaram de 14,8% para 13,5%. Para Jorge Teles, os números refletem um movimento importante de transformação.
“Sergipe demonstra que está caminhando para um mercado de trabalho mais qualificado, acompanhando a tendência nacional. Esse avanço reforça o papel essencial da educação na construção de oportunidades. Quanto maior o nível de escolaridade, maiores são as chances de inserção, estabilidade e mobilidade profissional”, afirmou Jorge Teles.
Apesar dos progressos, o estado ainda ocupa posições desfavoráveis quando comparado ao restante do país. Sergipe possui o quinto menor percentual de trabalhadores com superior completo, assim como de pessoas com médio completo e superior incompleto. Para Teles, isso evidencia a necessidade de políticas de qualificação contínua.
“A baixa escolaridade ainda deixa muitos trabalhadores vulneráveis a subempregos, baixa remuneração e atividades pouco estruturadas. Esse quadro impacta diretamente na produtividade e no desenvolvimento econômico do estado. Precisamos seguir avançando para ampliar o acesso à formação e fortalecer a empregabilidade”, reforçou o secretário.
A pesquisa também detalha a distribuição dos trabalhadores sergipanos por setor. Em 2024, o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas concentraram a maior fatia dos ocupados, com 20,2%. Em segundo lugar ficaram as áreas de administração pública, educação, saúde e serviços sociais, que reuniram 19,1% da força de trabalho. Já o setor agropecuário respondeu por 10,6% — uma queda expressiva em relação a 2012, quando representava 18,1%, o equivalente a uma redução de 41,4%.
Os dados reforçam que, embora Sergipe avance em qualificação e diversificação do mercado de trabalho, ainda há um caminho a percorrer para superar desigualdades educacionais e consolidar um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo.



