Em sessão solene realizada na tarde da última quarta-feira (10), a Câmara Municipal de Aracaju concedeu o Título de Cidadania Aracajuana à escritora Zélia Silva Rocha, de 91 anos, e à arquiteta Ana Angélica Silva Rocha, sua filha. A homenagem foi proposta pelo vereador Miltinho Dantas e reuniu um público expressivo no plenário da Casa Legislativa, incluindo familiares, amigos e admiradores das homenageadas.
A cerimônia foi marcada por momentos de emoção e reconhecimento, celebrando a contribuição de mãe e filha para o desenvolvimento cultural e urbano da capital sergipana.
“Primeiro quero reconhecer, ainda que de forma tardia, em nome do município de Aracaju e desta Casa, as homenagens a essas duas personalidades que têm uma história marcante no campo intelectual e no crescimento da nossa cidade”, declarou o vereador Miltinho Dantas, que presidiu a solenidade.
Durante o evento, vídeos biográficos relembraram a trajetória pessoal e profissional das novas cidadãs aracajuanas. A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, também participou por meio de uma mensagem especial em homenagem à arquiteta Ana Angélica, que há quatro décadas atua na Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emurb). Colegas de trabalho da instituição gravaram depoimentos celebrando sua dedicação e legado.
Natural de Propriá, a escritora Zélia Silva Rocha emocionou os presentes ao agradecer pela honraria e compartilhar um pouco de sua vida.
“Amo Aracaju, não existe cidade igual. Quero agradecer ao vereador Miltinho Dantas por essa homenagem. Receber esse título aos 91 anos é uma alegria imensa. Criei 14 filhos aqui, nesta cidade que me acolheu”, afirmou Zélia.
Já a arquiteta Ana Angélica destacou sua trajetória no serviço público e o amor pela capital sergipana:
“Nasci em Propriá, mas foi Aracaju que me acolheu desde cedo. Durante esses 40 anos de trabalho na Emurb, cada praça, cada obra, cada espaço urbano que projetei foi um gesto de amor pela nossa cidade. Receber esse reconhecimento é algo que me emociona profundamente”, declarou.
Ao final da solenidade, os convidados participaram de um coquetel na Galeria Álvaro Santos, encerrando a noite em clima de celebração e gratidão.
Biografia das novas Cidadãs Aracajuanas
Ana Angélica Silva Rocha
Natural de Propriá e com mais de quatro décadas de dedicação à arquitetura e ao urbanismo de nossa capital, Ana Angélica Silva Rocha se tornou referência na transformação de espaços que marcaram a história de Aracaju. Colaboradora da Emurb há 40 anos, ela assina projetos que se destacam pela relevância urbanística e pelo impacto direto na vida dos aracajuanos. Entre as obras realizadas, estão a reurbanização da Colina do Santo Antônio, das Praças Almirante Barroso e da Liberdade, a revitalização da entrada norte da cidade e do Parque da Sementeira.
Angélica também é responsável pelos projetos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Tenysson Ribeiro, no povoado Mosqueiro, da urbanização da Orla Pôr do Sol, da Praça do Antigo Farol, no bairro Farolândia, da Praça Fausto Cardoso, além do calçadão da Praia Formosa. Sua trajetória revela não apenas a técnica da arquiteta, mas o compromisso em deixar marcas permanentes na paisagem e na memória da cidade de Aracaju.
Zélia Silva Rocha
Natural de Propriá, Zélia Silva Rocha é uma escritora prolífica que transita com rara habilidade entre os gêneros literários. Sua produção vai do romance ao conto, da crônica às histórias infantis — estas últimas, responsáveis por grande parte do seu reconhecimento público. Multitalentosa, Zélia também se expressa pelas artes plásticas, como pintora e escultora.
Sob o pseudônimo Ailezz, conquistou jovens leitores, mas surpreende ao mostrar sua versatilidade literária. No livro “Estou nas Nuvens” (2018), assinado como Flora Liz, dá vazão a uma linguagem mais ousada, abordando temas da vida adulta. Um exemplo é o conto “Amigas da Alegria”, em que três senhoras pedem na igreja do Senhor do Bonfim a graça de encontrar um namorado, quando uma delas quase é atropelada por um ciclista de bicicleta azul.
Sua história de vida é tão inspiradora quanto sua obra. Criada em colégio interno, deixou a educação formal aos 16 anos, quando fugiu para se casar com José Doroteu Rocha, com quem compartilhou 70 anos de união. Juntos, tiveram 14 filhos, que cresceram e se tornaram adultos reconhecidos em suas áreas de atuação. Sua trajetória confirma que o talento e a dedicação ultrapassam qualquer barreira e que sua contribuição para a literatura e para as artes engrandece Sergipe e, agora, Aracaju.



