O tabuleiro político de Sergipe sofreu uma reviravolta momentânea com a liminar que tornou elegível o prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL). A decisão reacendeu especulações sobre uma possível candidatura de Valmir ao Governo do Estado, caso o quadro jurídico se mantenha até o período eleitoral. O tema foi amplamente debatido na edição desta segunda-feira, 2, do programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves.
Durante o programa, Kleber destacou que, embora a liminar permita momentaneamente que Valmir dispute qualquer cargo eletivo, o cenário ainda é de incerteza. “É preciso ter muita cautela. Valmir não está 100% liberado. Essa decisão é um paliativo. Hoje ele está elegível, mas a grande pergunta é: até quando essa liminar vai durar?”, analisou.
Segundo Kleber Alves, o impacto da decisão nos bastidores políticos é inegável, mas o risco jurídico ainda paira sobre o projeto eleitoral do prefeito de Itabaiana. “Essa liminar se sustenta sozinha até o pleito? Ela aguenta até o final do processo eleitoral? Essas são dúvidas que o próprio Valmir e o grupo político dele precisam responder”, pontuou.
Outro ponto central destacado no Inove Notícias é o prazo legal para que Valmir decida se renuncia ou não ao mandato de prefeito, o que deve ocorrer até o mês de abril. “Valmir tem um alinhamento excelente com o vice-prefeito, mas todo mundo sabe do apego dele por Itabaiana. A grande questão é: ele deixa a prefeitura para colocar o nome à disposição do povo sergipano ou permanece onde está?”, questionou Kleber.
O radialista também chamou a atenção para o risco político envolvido nessa decisão. “Se Valmir deixa a prefeitura e perde a eleição para governador, ele pode perder duas vezes: perde Itabaiana e perde o Governo do Estado”, avaliou.
Do outro lado, o governador Fábio Mitidieri reagiu ao novo cenário e minimizou o impacto da possível candidatura de Valmir. “Eu tenho trabalho a mostrar. Sou governador há três anos e ainda tenho este ano para mostrar trabalho ao povo de Sergipe”, afirmou Mitidieri, sinalizando que não vê a movimentação como ameaça imediata.
A repercussão da liminar não ficou restrita ao cenário estadual. Em Aracaju, a prefeita Emília Corrêa elevou o tom ao ser questionada pela imprensa sobre o retorno de Valmir ao jogo político. Inicialmente, Emília comemorou a decisão e reconheceu que Valmir voltou ao cenário, ainda que de forma temporária. Valmir, inclusive, encontra-se em Brasília, onde, segundo bastidores, deve se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto.
Outro ponto sensível envolve a disputa ao Senado dentro da oposição. Emília Corrêa declarou ter voto garantido para Eduardo Amorim, mas admitiu que o segundo voto, inicialmente destinado a Rodrigo Valadares, pode ser revisto. “Esse segundo voto foi o que gerou a maior confusão dentro da oposição”, lembrou Kleber Alves. “Valmir reclamou que não foi consultado e queria um nome de Itabaiana, enquanto André David também estava no jogo”, destacou.
A crise interna se agravou com a reação da vereadora de Aracaju Moana Valadares(PL), sogra de Simone Valadares, atual secretária de Assistência Social da capital. Moana foi dura ao afirmar que, caso Emília não apoie Rodrigo Valadares ao Senado, isso configuraria traição.
“Segundo Moana, houve um compromisso firmado lá atrás e não cumpri-lo seria trair politicamente”, relatou Kleber.
Kleber ainda provocou reflexão sobre o tema. “Se a prefeita tem o direito de nomear ou não secretários, será que ela também não pode mudar de ideia politicamente? Ou compromisso político é cláusula pétrea?”, questionou.
Para Kleber Alves, o episódio escancara a dificuldade da oposição em Sergipe de construir unidade, mesmo diante de oportunidades favoráveis. “O que a gente vê é uma oposição que, mesmo quando leva vantagem como agora, com essa liberação temporária de Valmir, prefere brigar entre si. É um atacando o outro dentro do próprio campo político”, concluiu.



