A discussão sobre os altos valores de cachês pagos por prefeituras a artistas voltou a dominar o noticiário sergipano. Durante a edição desta segunda-feira, 23, do programa Inove Notícias, da Cultura FM, com Kleber Alves, o tema foi debatido com a presidente da Federação dos Municípios de Sergipe (FAMES), Silvany Mamlack, que trouxe esclarecimentos e defendeu critérios mais amplos para análise das contratações.
Segundo a presidente, estabelecer um teto fixo para cachês pode inviabilizar a contratação de grandes atrações. “Você colocar um limite, por exemplo, de até R$ 500 mil, muitas vezes impede a vinda de artistas de grande porte, que hoje custam mais de R$ 1 milhão. O importante é que o município comprove que está com suas contas em dia, especialmente com o pagamento dos servidores”, afirmou.
Silvany destacou, ainda, que os custos de um evento não se resumem ao cachê do artista. Estrutura de palco, som, iluminação e segurança também impactam diretamente no valor final das festividades. “Não se trata, apenas, de pagar o artista. Existe todo um apoio cultural e estrutural necessário para garantir a realização do evento com qualidade e segurança”, pontuou.
A presidente também chamou a atenção para a diferença entre contratações privadas e públicas. De acordo com ela, artistas costumam cobrar valores distintos quando se trata de eventos custeados pelo poder público. “Essa diferença é uma realidade, e precisamos trazer mais transparência e equilíbrio para essas contratações”, disse.
Outro ponto abordado foi a necessidade de comprovação dos valores cobrados, principalmente por artistas em ascensão. A tendência, segundo Silvany, é que haja maior rigor na exigência de documentos que justifiquem os cachês. “Ferramentas como o observatório do Tribunal de Contas já fazem esse levantamento, e a exigência de comprovações deve aumentar, principalmente, para novos artistas”, explicou.
Apesar das discussões e possíveis mudanças, a presidente reforçou que não há intenção de acabar com os festejos. “Não existe essa possibilidade. Faz parte da nossa cultura, da nossa tradição. O que buscamos é um equilíbrio para continuar oferecendo grandes eventos à população, fortalecendo o turismo e valorizando nossa identidade”, destacou.
Uma reunião marcada para esta terça-feira, às 10h, na sede do Ministério Público Estadual, deve reunir representantes de órgãos de controle e prefeitos para aprofundar o debate e definir diretrizes mais claras sobre o tema. Atualmente, a FAMES conta com cerca de 65 municípios filiados, dos 75 existentes em Sergipe, e a expectativa é ampliar o diálogo para todas as gestões municipais.
A discussão promete avançar nos próximos dias, com a definição de critérios que conciliem responsabilidade fiscal, transparência e a manutenção das tradições culturais no estado.


